Lombalgia tem tratamento, mas é preciso procurar um especialista
Oito, em cada dez pessoas, no mundo inteiro, já sofreram, sofrem ou sofrerão dor nas costas, ao menos uma vez na vida. A estatística é da Organização Mundial da Saúde (OMS) e demonstra como o assunto é sério. Uma das doenças da coluna mais comuns é a...
Oito, em cada dez pessoas, no mundo inteiro, já sofreram, sofrem ou sofrerão dor nas costas, ao menos uma vez na vida. A estatística é da Organização Mundial da Saúde (OMS) e demonstra como o assunto é sério. Uma das doenças da coluna mais comuns é a lombalgia. Inclusive, segundo o INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social), é uma das campeãs do afastamento do trabalho.
A lombalgia é uma das campeãs do afastamento do trabalho
Segundo o Dr. Marcio Taubman, ortopedista do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo – a lombalgia provoca dores na região lombar, isto é na região mais baixa da coluna, acima da bacia. “A lombalgia pode ter diferentes causas, mecânicas, inflamatórias, infecciosas, traumáticas e até psicossociais. Além de dores, a pessoa pode ter sensação de queimação, localizada e que também pode se irradiar para a perna, com ou sem dormência ou sensação de formigamento, além de fraqueza na perna”, explica o médico do CREB.
Ao menor sinal destes sintomas, diz o Dr. Márcio, é preciso procurar um especialista. A lombalgia tem tratamento. “Quem nunca sentiu dores nas costas? É algo tão comum, que muitas vezes a gente nem presta atenção, acha que foi uma noite mal dormida, um mal jeito ou excesso de exercício. Mas a dor é indicação de que algo não vai bem. Um especialista deve ser consultado rapidamente, porque quanto mais cedo tratar, mais rápido teremos sucesso no tratamento”, finaliza ele.
Reumatismo é coisa séria. E deve ser tratado por um médico reumatologista
Existem mais de 100 doenças reumáticas e a maioria delas começa com uma simples dor nas juntas, que pode ser uma tendinite, um problema de coluna ou mesmo uma artrite reumatóide. E, ainda assim, muita gente prefere acreditar que trata-se de “uma dorzinha passageira” e não procura a ajuda de um médico reumatologista. O problema é que aquela “dorzinha passageira” as vezes não passa e, mais do que isso, acaba por se transformar em um problema de saúde mais sério.
E é justamente para evitar esse tipo de situação que a Sociedade Brasileira de Reumatologia está divulgando a campanha “Reumatismo é coisa séria”. O objetivo é divulgar o rol de doenças e conscientizar a população a procurar um médico reumatologista. “Trata-se de uma campanha muito oportuna. Os sintomas dos mais diferentes tipos de reumatismo podem se confundir entre si, bem como com dores comuns no dia-a-dia das pessoas. Apenas um especialista está apto a diagnosticar o paciente. Se a pessoa sentir dor nas articulações e/ou músculos, dor na coluna vertebral, rigidez articular e edema nos músculos, tendões e articulações deve procurar um médico reumatologista”, explica o reumatologista do CREB, Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo, Dr. Arnaldo Libman, também membro da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Segundo o reumatologista do CREB, há mais de cem tipos diferentes de doenças reumáticas, que comprometem ossos, cartilagens, articulações e músculos e a maioria começa com uma pequena dor e inflamação nas articulações. “Exatamente por confundir o início de uma doença reumática com uma pequena dor cotidiana, o paciente não procura o médico e a doença acaba sendo diagnosticada tardiamente. Isso não é bom porque o tratamento deve começar o quanto antes”, explica o Dr. Arnaldo Libman.
O médico do CREB aproveita para eliminar alguns mitos. Por exemplo: reumatismo não é uma doença de idosos. Segundo o Dr. Arnaldo Libman, uma grande parte das mais de cem doenças reumáticas atinge pessoas de todas as idades, inclusive jovens e crianças. “A artrite reumatóide juvenil acomete, por exemplo, adolescentes com menos de 16 anos de idade e apresenta sintomas como rigidez matinal e dificuldade no andar”. A mulher jovem ou mais madura sofre com a fibromialgia e o idoso com artrose e osteoporose. Outro mito que ele elimina é de que o reumatismo seria uma doença sazonal, ou seja, cujos sintomas aumentariam na época de frio. “Não é verdade. O reumatismo aparece em qualquer época do ano”. O Dr. Arnaldo lembra que as várias formas de reumatismo têm tratamento e através de diversos protocolos de reabilitação e tratamento medicamentoso o paciente pode ficar muito bem e ter uma qualidade de vida muito melhor.
Atividade física regular atenua sintomas da artrite
Uma ampla pesquisa realizada pelo centro médico da Universidade Duke, nos Estados Unidos, divulgada recentemente no respeitado periódico científico Arthritis Rheumatism, garante que exercícios físicos regulares podem atenuar os sintomas da artrite, também conhecida como osteoatrite, doença que apresenta inflamações nas articulações, principalmente nas mãos e nos pés, causando dores e inchaços. A pesquisa analisou a relação entre obesidade e a doença e a conclusão é que mesmo que o paciente não perca peso, a prática regular de exercícios pode trazer bons resultados. Outra conclusão é que a obesidade, por si só, não causa as inflamações.
A atrtite é mais freqüente nas mulheres do que nos homens e atinge 1% da população mundial. No Brasil, 1,5 milhões de pessoas são acometidos pela doença. “Também conhecida como artrose, a osteoatrite se caracteriza pela degeneração da cartilagem que amortece o peso do corpo sobre as nossas articulações. O problema pode ser originado devido a flacidez muscular, tendões e ligamentos subutilizados e variações genéticas que levam algumas pessoas a ter cartilagens menos resistentes. Outro fator muito comum é o sedentarismo ou até mesmo o excesso da atividade física”, explica o reumatologista e fisiatra do CREB – Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo, Dr. Eduardo Sadigurschi. “Atualmente contamos com medicamentos que podem influir na evolução da artrose, melhorando-a e impedindo em muitos casos a evolução”, completa ele.
A pesquisa da universidade norte-americana partiu da premissa que muitos casos de osteoartrite estão associados à obesidade e sedentarismo. Os cientistas buscaram saber se uma alimentação rica em gordura levaria a uma artrose no joelho e se exercícios poderiam prevenir o problema. Para isso, camundongos foram alimentados de forma distinta: um grupo recebeu comida rica em gordura e o outro grupo comida normal. Os cientistas notaram que o primeiro grupo foi mais prejudicado, ganhando peso rapidamente, processaram mal a glicose e apresentaram um nível alto no sangue de moléculas causadoras da inflamação crônica associada à artrose. Depois, os camundongos se exercitaram em rodas colocadas nas gaiolas – dessa forma, muitos dos problemas decorrentes do aumento de peso sumiram, inclusive inflamações.
– É ainda precoce dizer que é a solução para a artrite, mas os pesquisadores estão certos em dizer que os exercícios atenuam as dores. Há, contudo, que se ressaltar que a perda de peso é, sim, extremamente importante para o tratamento da artrite. E os exercícios físicos devem ser bem orientados, caso contrário podem causar ainda mais danos – afirmou, à revista, Farshid Guilak, PhD, um dos autores do estudo e professor de cirurgia ortopédica na Duke. – É surpreendente que seja positivo para as articulações mesmo sem a perda de peso. O ideal é que o paciente fique em forma e emagreça pelo menos um pouco, mas esta pesquisa mostra que os exercícios, mesmo não acompanhados de outras mudanças, podem melhorar a saúde de quem tem a osteoartrite – completou.
“A dor certamente é uma barreira inicial, mas a longo prazo os exercícios sempre trarão benefícios”, diz o Dr. Eduardo Sadigurschi. Segundo ele, a pesquisa mostra que o melhor a fazer é se exercitar, com orientação médica, claro. A artrite reumatóide, inflamação ns articulações que pode provocar inchaço com dor nas pernas, rigidez articular e deformação na postura, ataca principalmente pessoas entre 35 e 55 anos, ainda que possa aparecer até em crianças. Calcula-se que mais da metade da população acima de 45 anos apresenta algum sinal de osteoatrite, a mais comum entre as mais de 100 formas da artrite, a degeneração das articulações que, segundo a Organização Mundial da Saúde, vem ganhando uma abrangência de epidemia.
“Uma nova geração de drogas está enfrentando a doença com resultados muito satisfatórios, devolvendo a pacientes sua qualidade de vida. São medicamentos que devolvem a qualidade de vida de pacientes que não conseguem melhorar com os tratamentos convencionais”, explica o reumatologista do CREB, clínica que dispõe de uma sala especial e médicos especializados para aplicação desses tipos de medicamentos. O médico pontua, entretanto, que o tratamento tanto da artrite reumatóide como da artrose não podem se resumir a medicamentos. “É fundamental que o paciente cumpra um programa de reabilitação física, recomendado pelo seu médico. como exemplos a cinesioterapia, acupuntura e a hidroterapia, que é uma excelente alternativa. Temos depoimentos de pacientes que mal podiam segurar um copo e seguindo as orientações do fisiatra e do reumatologista conseguem recuperar sua qualidade de vida”, finaliza.
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